
Acreditar que apenas o fato de uma representante do sexo feminino será, por si só, um fator radical de uma mudança, é uma ingenuidade, do mesmo teor de quem abraçou a "onda verde" de Marina Silva, acreditando em mudanças significativas nas políticas ambientais e esquecendo-se, por exemplo, dos interesses das cifras arrebatadoras dos empresários envolvidos em sua campanha, que certamente direcionariam qualquer programa do partido.
Dilma não está tão longe. O PT que ajudou a criar poder de compra para a classe baixa e média de uma forma nunca vista no país, é o mesmo que possibilita o salto astronômico de Eike Batista com suas ações na bolsa. Muito se discute o caráter firme, rígido, exercido pela ministra Dilma, mas infelizmente essas qualidades individuais, pouco ou nada, exercem influência a ponto de esperarmos por dias verdadeiramente melhores.
A discussão não pode ficar ludibriada com o doce sabor da política, pensando nos limites do intelecto político, esquecendo que a política é administração de conflitos e não solucionador do mesmo. Há luta de classes, e a política nacional mostrou, da forma mais schumpeteriana de ser, de quem governa não é um operário, mulher ou um negro, mas uma elite que pensa como classe e age como tal.
Parece-nos que já passou em muito o tempo das discussões e opiniões direcionarem-se às estruturas, algo que supere o blábláblá entorno das caricaturas feitas sobre os candidatos, das mútuas ofensas inócuas de conteúdo político. Temos a potencialidade de irmos muito além das ferramentas democráticas que sustentam o bolo da grande festa da democracia brasileira. E que os maiores pedaços até hoje sabemos para quem ficam.
por Valdivíno Ferreira.








