Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de abril de 2010

A banda...

De tempos em tempos, aparece um filme que comprova, mais uma vez, a força e o valor da simplicidade e magnitude que está embutida no homem. Quanto mais o cinema se perde em efeitos pirotécnicos, montagens estroboscópicas (nem sei se existe essa palavra!), tomadas de câmera mirabolantes e trilhas sonoras intermitentes e irritantes, mais a sobriedade narrativa e a sensibilidade fotográfica encontra seu espaço e conquista fãs em todo o mundo. A mais recente prova disso é a co-produção Israel/ França/ EUA “A Banda” . Toda a trama de A banda, filme do diretor e roteirista Eran Kolirin, parte de uma frase que é colocada bem nos créditos iniciais do longa. Ela nos diz que: “uma vez, uma banda chegou em Israel, mas ninguém acabou se lembrando dela.” É justamente a encenação desta frase que assistimos na primeira cena de “A Banda”: a Orquestra Policial de Alexandria (Egito) acaba de chegar em Israel, mas, por alguma razão que não fica claro para nós, quem os contratou se esqueceu de pegá-los no aeroporto e transportá-los para o Centro Cultural Árabe aonde eles iriam fazer um concerto. Além disso, um erro de escrita coloca os integrantes em um lugar esquecido por todos; são obrigados a dormirem em um bar local e aguardar a embaixada resolver o problema. Inicia-se o entrelaçamento dos personagens. Não vou descrever aqui a trama, porque não chegará nem de perto o que o longa tem a oferecer, pretendo apenas causar a curiosidade.

A sacada do diretor, talvez, é contextualizar a causalidade, que ocorre em nosso cotidiano sem perceber que vivemos “distraídos”. Ao iniciar pelo fato de que eles (a banda) erraram o nome da cidade e vão para em outra cidade oposta, mostra essa determinação do acaso. Outro fato percebido é a cena de um personagem local com um integrante da banda (Simon), ambos angustiados. Simon por não conseguir terminar de compor um soneto de abertura do concerto; o personagem local estava desempregado e passava por problemas conjugais. O roteiro do filme nos leva a interpretar que a solução está nos atos menos perceptíveis da vida, onde os choques dos problemas de ambos mostra o guia para perceber tal anomia.

O longa possui uma fotografia espetacular e tomadas de cenas fantásticas. Com a valorização do ambiente local e cultural o filme torna-se uma obra prima moderna, e sua trilha sonora compõem a maravilhoso enredo cinematográfico. Vale à pena “perder” um tempo e parar para assisti-lo. Como foi dito no inicio do texto, não é todo dia que assistimos a um longa e sentimos essa “estranheza” agradável.

Pensando em disseminar o melhor da Arte, tive o prazer de procurar o link para baixá-lo, e coloca-lo aqui para contribuição. Sem esquecer de agradecer ao Comodis, já que, foi sua a indicação do estupendo longa israelense.


Baixar o filme: Vagalume Rosa (via torrent)


Boa pipóca!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cimena...

Quando assisto a um filme, que diga-se de passagem é classico, fico estupefato pela genialidade de expressar a realidade de forma poética, e é claro, de forma emancipatória. Eles não usam black-tie é um desses. Também, com um elenco de "arrepiar" os cabelos, composto por Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Bete mendes, Carlos Alberto Ricceli e Milton Gonçalves formam essas epopéia moderna.
É um filme baseado na fantástica peça de Gianfrancesco Guarnieri, que mostra o duro drama de uma familía de operários no grande ABC em São Paulo. Em resumo, o filme é uma retratação do conflito dos operários com a ditadura militar e suas políticas de "aroxo" salarial.
O que me chamou mais a atenção no filme é o cenário que o diretor Leon Hirszman usou para rodar o longa, onde passa-se em uma favela paulista, que no inicio dos anos 70, consolidou-se em São Bernardo do Campo-SP para disponibilizar mão-de-obra as indústrias que ali se instalaram. O enredo do filme é composto pelo conflito familiar gerado por uma greve no fim da década de 70; o presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC (Luiz Inácio Lula da Silva) decreta a greve geral, desesperada e sem a conscientização da categoria.
Vamos ao filme:
O pai, Otávio (Gianfrancesco Guarnieri) é um operário, idealista, socialista e convicto de sua situação como trabalhador explorado. Forte e corajoso entre os seus companheiros, experimentou várias lideranças dentro do sindicato, no que resultaram em algumas prisões, com isso ganha destaque entre os seus transformando-se num dos cabeças do movimento grevista. O filho, Tião (Carlos Alberto Ricceli) por motivos de sua namorada estar grávida e não perder o trabalho decide não acatar a greve liderada por seu pai, e ainda deleta os companheiros que a estão liderando, ocasionando a demissão dos mesmos. Para Tião, a greve é algo utópico, já que, quando criança viu seu pai ser preso e não obter resultados imediatos. Maria (Bete mendes) operária e idealista passa para o movimento grevista e é agredida pelos políciais, correndo o risco de perder o filho. Nesse contexto o filme chama a atenção por sua originalidade em retratar os fatos históricos dos operários, recuados e sem direcionamento, mais de 3 mil trabalhadores esperando uma solução perante à real situação da política industrial brasileira.
Eles não usam black-tie é um filme político e social, sempre atual no qual Gianfracesco Guarnieri criou de um lado, personagens marcantes e populares como Terezinha, Chiquinho, Dalvinha e Jesuíno que nos revelam um mundo alegre, descontraído e aparentemente feliz. Já por outro lado o filme se apresenta forte e densa revelando de maneira real os conflitos que atormentam personagens como Otávio, Romana, Tião, Maria e Bráulio. São tais encontros e são esses momentos alegres e comoventes , que nos provocam o riso e a dor, alegria e tristeza. Assim, se por um lado mostra um olhar profundo dentro da sociedade brasileira, por outro esse olhar vem embalado por um valor poético materializado na concepção socialista de mundos. Com certeza esse é um brilhante longa, que nos proporciona um pensar sobre nossa realidade.

Como o blog presa por um "despertar" da catarse, tá ai o torrent para baixar, então divirta-se, e se possível comente.

Bom filme!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cine&Sereno

Segue alguns filmes sugeridos para o cinema do CAFFÉ na calourada:

Terras do Bem-Virá

Brasil, 2007, 111min.- Direção: Alexandre Rampazzo)

Um dos documentários mais completos para se entender a questão dos conflitos agrários no Brasil.

Trabalhadores sem opção de sobrevivência em seus estados partem para a Amazônia, no Pará, para trabalhar nas fazendas iludidos pelo sonho de se poder conseguir o sustento de suas famílias. Mas a realidade é outra, grande parte não volta mais, torna-se um contingente de trabalhadores escravos, inseridos em um ciclo vicioso de trabalho e dívida com seu patrão. Após serem explorados durante décadas, muitos tornam-se indigentes. Muitos dos que tentam escapar desse sistema, são assassinados.

O chamado "Agronegócio" do latifúndio está quase sempre associado a diversas práticas nocivas a sociedade e ao planeta: quase todas as fazendas da região são produtos da grilagem, ou seja, são terras da União que de alguma forma foram fraudadas em nome de alguém; os pistoleiros, quando não a polícia do Estado, promovem a "limpeza" humana das áreas, ameaçando, assassinando os colonos que lá antes habitavam. Esse modelo está ligado a derrubada de florestas, extinção de espécies, queimadas, contaminação dos recursos hídricos, a concentração de terras e de renda.

(Comentários: Docverdade)

Fonte: http://docverdade.blogspot.com/2010/01/nas-terras-do-bem-vira-2007.html

Segunda-feira ao sol

Título original:(Las Lunes al Sol)

lançamento:2002 (Espanha)

direção:Fernando León de Aranoa

atores:Javier Bardem, Luis Tosar , José Ángel Egido , Nieve de Medina , Enrique Villén

duração: 113 min

Uma cidade costeira no norte da Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados à mercê de pequenas ocupações temporárias. Entre eles está Santa (Javier Bardem). Mas a verdade é depois de serem derrotados em uma greve passam a sofrer com o desemprego; com mais de 40 anos de idades não conseguem adentrar no mercado de trabalho. O brilhante filme aborda não somente essas contradições que o capitalismo impõem, mas também mostra seus sonhos e desejos.

Vale apena ter esse filme em nossas recordações.

Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/segunda-feira-ao-sol/

Estamira

titulo original: (Estamira)

lançamento: 2006 (Brasil)

direção: Marcos Prado

atores: Estamira

duração: 115 min

Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais. Ela vive e trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local que recebe diariamente mais de 8 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso filosófico e poético, Estamira analisa questões como a intelectualidade, psicanálise e acima de tudo a situação dos trabalhadores do lixão.

Vamos votar em qual deles passaremos na abertura do Cine&Sereno.

Aguardo os votos no comentários.

Bom filme!