quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A luta de classes no Pinheirinho

A narrativa que segue é uma tentativa de mostrar a experiência vivida na semana que estive em São José dos Campos-SP nos dias 10/01 até 18/01

Pinheirinho: a guerra já começou para a classe trabalhadora em 2012

No dia da chegada não percebia a dimensão da ocupação do bairro Pinheirinho, e muito menos de como a história daquela propriedade era controversa, sem muitas explicações verídicas. A mídia local não trazia nenhuma notícia confiável, e somente publicava o problema sem muito aprofundamento, a não ser quando lhe interessava a carnificina que poderia vender como notícia. Essa era a conjuntura que encontrei, em uma cidade de médio porte como é São José dos Campos (quase 700 mil hab.) e com um déficit habitacional enorme. O bairro do Pinheirinho vem como um reflexo da especulação imobiliária que o Brasil sofre nos últimos anos. Mas para entender a ocupação do Pinheirinho é necessário saber a história da Selecta S/A e do especulador Naji Nahas.

O território onde aquele bairro se encontra tem algumas lacunas que até agora não foram esclarecidas. O terreno pertencia a um casal de alemães que, na década de 60, foi misteriosamente assassinado e sem deixar herdeiros. “Contudo, estranhamente, desde 9 de setembro de 1981, a propriedade aparece em nome da massa falida Selecta, de propriedade do especulador Naji Nahas”, segundo o advogado que cuida do caso para os moradores. E quem é o tal do Naji Nahas? Me surpreendi! Lembramos da operação “Satiagraha” da Polícia Federal, Daniel Dantas, Celso Pita, grupo Oportunity, etc., todos esses nomes soam familiar. Pois então, a Selecta S/A pertence ao especulador e todo esse grupo aí. E mais, Naji Naras foi o um dos responsáveis por quebrar a Bolsas de Valores do RJ em 1989, com atividades de especulações “imorais”. Ou seja, a Selecta foi uma das empresas de fachada, só existia no papel, e suas ações eram usadas na Bolsa para pedir dinheiro público emprestado e revendê-lo na Bolsa novamente, fraudando todos os dados. Uma jogada de mestre contra o dinheiro público. A empresa “faliu” em 91, e como não possuía nenhum funcionário não teria dívida trabalhista, porém, a dívida com o terreno era em impostos (IPTU), e ficou somente a prefeitura para receber. A dívida com o município ultrapassa 15 milhões, e nunca foi cobrada. Ai é que entra o Pinheirinho.

A ocupação da área ocorreu em 2003, como tentativa de forçar a prefeitura a colocar em prática a política habitacional que o prefeito Eduardo Cury (PSDB) tinha prometido quando fosse eleito. Segundo as informações, desde 2009 foram construídas somente 238 casas, a fila para inscritos no ano de 2011 é de 26 mil. Nem precisa argumentar muito para explicar o porquê da ocupação. Enfim, o Pinheirinho é o mais puro reflexo da especulação imobiliária que se encontra o Brasil, “em São José o terreno iria servir para construção de um condomínio de luxo”, segundo um morador do bairro. Hoje cerca de 1.800 famílias, com mais de 2 mil crianças, sem um teto para morar vivem no local. Devido ao impasse para a regularização da área os moradores foram construindo suas casas e gastando todo o seu suor em sua moradia. No final de 2011, a juíza Márcia Loureiro da 6º Vara Cívil, de São José, aceitando o pedido de reintegração de posse do terreno, coloca mais de 8.000 pessoas apreensivas. Quando terminou o recesso do Judiciário, em janeiro de 2012, a reintegração de posse tinha que ser cumprida. Carol e eu chegamos na cidade dias antes do comprimento dessa reintegração, cenário tenso de terrorismo psicológico em favor do capital e contra a vida humana.

Na noite da reintegração

Na madrugada do dia 10/01 houve uma vigília no Sindicato dos Metalúrgicos de SJC para agregar informações. Estávamos lá para tentar fazer alguma coisa para ajudar. Todos muito preocupados, a polícia militar já tinha dado o ultimato, com o uso da máquina do Estado para praticar o terror: deu rasantes com o helicóptero jogando panfletos para intimidar os moradores, e não foi só isso. Horas antes foi anunciado na sala de reunião do sindicato que um ônibus foi queimado na frente do Pinheirinho. A polícia acusa os moradores, os moradores organizados negaram o ocorrido. Os jornais locais publicaram a foto do ônibus pegando fogo, um espetáculo midiático para primeira página no dia seguinte, com o título da matéria “A guerra começou” e “Dia D do Pinheirinho: polícia isola área após ataque a ônibus”. Com o circo armado podia começar o espetáculo.

Terminada a reunião, por volta das 3hs da madrugada, fomos distribuídos para se deslocar até às fábricas e distribuir panfletos com informações mostrando a monstruosidade e o derramamento de sangue que estava para acontecer. Carol ficou no sindicato para me informar das notícias. Na porta da General Motors os operários recebiam o jornal com certa curiosidade, alguns passavam e não pegavam, mas a maioria queria alguma informação verídica.

Foi quando por volta das 5am, recebi uma ligação da Carol dizendo que tinha sido revogada a reintegração de posse do Pinheirinho, o que foi confirmado minutos depois pelo advogado que estava cuidando do caso. A alegria foi geral, a sensação de vitória tomou conta de nós. Partimos para lá para comemorar aquele feito, que por alguns parecia sem solução, nos últimos instantes, no momento que a polícia já tinha isolado a área, fechando as ruas e deslocado quase 2 mil homens para a remoção, chega a vitória provisória: a reintegração está suspensa por 15 dias.

Ao chegar no bairro não havia como ficar indiferente, milhares de pessoas comemorando e se sentindo vencedoras, pois ainda tinham uma casa para morar; um caminhão de som dividia com as gargantas o espaço sonoro: “viva o Pinheirinho, viva a classe trabalhadora”. Os sindicatos e os partidos políticos (PSTU,PSOL, PT) ajudam na festa, e direcionam pessoas que até ontem estava esquecida pelo poder público. O relógio já batia 7hs da manha quando os gritos anunciavam a festa às 18hs no mesmo local que ocorriam as assembleias cotidianamente. Não consigo expressar fielmente o que vi naquele local, e nem colocar aqui como eles estavam dispostos a lutar até a morte, muitos com lágrimas nos olhos diziam: “Só iria sair se fosse em um caixão!”

À noite, foi só alegria. Música, poemas, teatro, revolução, eram alguns temas que permeavam o local e um sentimento de coletividade colocada pela luta de classes. Me lembrei de uma frase que vi na faculdade: se “ousar lutar é ousar vencer”, os trabalhadores do Pinheirinho estão vencendo. Agora espera-se um planejamento do município juntamente com o governo federal para que se possa regularizar a área, disponibilizando saneamento básico, escola, posto de saúde e transporte público. Mas sabemos que nada é oficial ainda.

O Pinheirinho é o maior assentamento urbano da América Latina, mostrando que a precariedade da habitação é um fato no desenvolvimento das cidades, e que nesses últimos eventos (Cracolândia, Pinheirinho, etc.), colocou a decadência de um sistema econômico opressor (capitalismo), e que a classe trabalhadora é a que vem suportando os horrores das políticas públicas do neoliberalismo, com precarização do público e colocando o funcionamento do Estado em benefícios de alguns Daniel Dantas, Naji Nahas, Eduardo Cury e tantos outros. Isso tem que acabar, o público tem que ser realmente público. 

Parabéns camaradas do Pinheirinho, a luta continua, vocês foram guerreiros e mostraram para todos nós que quando se trata de lutar por dignidade o medo desaparece, e vem o sentimento revolucionário da verdade: pela vida!

 As reuniões acontecem todos os dias às 18hs no centro comunitário do bairro, participe.

Companheiros, obrigado pelos dias vividos!

Alex Willian
São Sebastião-SP. 19/01/2012


As fotos que fizemos estão aqui









Links
http://www.youtube.com/watch?v=CMVNewTPSyU&feature=results_main&playnext=1&list=PLA7734A14E0DCCBF9

http://www.brasildefato.com.br/node/8637

http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/suspensa-por-15-dias-reintegracao-de-posse-no-pinheirinho

http://www.pstu.org.br/movimento_materia.asp?id=13796&ida=0

http://www.ovale.com.br/reintegrac-o-do-pinheirinho-suspensa-por-15-dias-1.208396

http://pt.wikipedia.org/wiki/Naji_Nahas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Para que serve a Utopia?

"O direito ao delirio." Por Eduardo Galeano.




E por isso sonhamos, e com esse, sempre objetivando o mundo que queremos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A despedida.

Desmanchando o quarto para a mudança, tirando coisas da parede que nunca pensou-se tirar tão cedo, olho coisas do passado, bagunça por toda parte, principalmente no interior, percebe que algo mudou, se olha no espelho e pensa: quem mudou foi você!

O nó no peito, dito por um amigo, toca o íntimo e por um momento sai, sai nas lágrimas de um homem, quase “balsacquiano” diga-se, feito uma cachoeira em dias de tempestade. A nostalgia adquirida ao longo desses cinco anos, e a transformação, daquele menino rioclarense, pobre, filho de um pedreiro e uma cozinheira, o primogênito de quatro, agora homem conhecedor do mundo, reconhecendo a necessidade de lutar, já que, a classe o pertence por natureza. Despede-se de um circulo: de amigos, de política, dos amores, das desilusões; despede-se de um pedaço de um circulo humano, da vivência.

Os amigos. Ah amigos! Muitas alegrias, irritações, abraços, choros, derrotas, muitas vitórias, “ousar lutar é ousar vencer”, sempre estiveram lá, mesmo de cara virada, permaneceram amigos. Aqueles mais reclusos, os mais falantes (como eu!), tem aqueles que passaram tão rápido que temos que buscar a recordação lá embaixo no fundo da lembrança, e tem aqueles que vive o desenvolvimento juntos, sem desistir, enfrentando as dificuldades materias e espirituais. Enfim, a amizade é a mais pura demonstração de que o homem, o ser social, não é mal, só quem não tem amigos de verdade pode acreditar nessa ideologia decadente.

Os amores. Quantas lágrimas roladas por elas, quantos sorrisos, quantas alegrias e sinceridades, apertos de abraços, etc. Às Helenas, às Capitu(s), às Olgas, enfim, me fizeram amadurecer a cada dia e perceber, “o amor é uma coisa mais profunda que uma transa casual”, já diria o mestre. Os amores inocentes, aqueles que não deram certo e ficaram, aqueles que estão dando, os vividos na chegada e os sentidos na saída, aqueles que ficaram nos olhares, todos, os amores ficarão para sempre.

Os professores. Aqueles que foram os responsáveis também pela formação, a satisfação de conhecê-los, de ter vivido juntos amarguras e catarses, com vários “arranca rabo”, mostrou-me que é no respeito e no diálogo que conquistamos a confiança e a admiração dos “mestres”. Em

especial aos professores Ozaí e Maria, suas vidas foram exemplos de dignidade e

companheirismo, que vai muito além da simples relação professor/aluno, adentra na relação da admiração da amizade, do amor. Obrigado por terem me acolhido.

Agora sou um professor, às responsabilidades com o mundo aumentam, o coração de estudante fica nessa nostalgia de despedida, o que vem pela frente é o mundo crescido. Maringá permanecerá nas minhas lembranças mais íntimas, e nessa última noite, ao som de Bob Marley, coloco mais uma etapa na vida. É viver como homem, porém, nunca perdendo aquela criança meiga que sonha com outro mundo.

Até logo Maringá, até logo Amigos!

Alex Willian. 17/12/2011













quarta-feira, 18 de maio de 2011

Evento: Nelson Werneck Sodré.

Esse ano comemora-se 100 anos de nascimento do historiador marxista Nelson Werneck Sodré. Além de suas obras sobre a história brasileira, Sodré também escreveu textos sobre literatura nacional e questões econômicas. Já da para ter ideia de quanto coisa escrita, o acervo é enorme.
A revista multidisciplinar Urutágua e o Departamento de Ciências Sociais da UEM promove o evento: "Nelson Werneck Sodré e a Questão Nacional no Pensamento Social Brasileiro", dia 20 maio (sexta-feira), às 19hs 30min.
Para ser mais prático leiam o cartaz.

Mais informações aqui.

Entrada gratuita, o H-35 fica atrás do G-34, ou seja, atrás da biblioteca da UEM.
Até lá!

domingo, 15 de maio de 2011

Os anos 80...

Os clássicos permanecem dessa forma porque toma seu rumo além do seu criador, em estado permanente de Frankstein.


video

Doces triênios...











A nostalgia do 80.
Semeando The Jackson Five para baixar. (link)
Curte ai!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ato Público


A TCCC é uma empresa de prestação de serviço de transporte público de Maringá, e esta a alguns anos com o monopólio na cidade. O que acontece é que o prefeito irá renovar essa licitação por mais 40 anos, acreditem, mais 40 anos; e quem paga é o trabalhador que necessita desse transporte todo os dias e tem que pagar esse valor abusivo.
2,60 é roubo! Contra mais 40 anos de abuso!
A gestão do prefeito Silvio Barros (PP) abriu o edital de licitação que irá permitir que continue por mais 40 anos explorando o trabalhador. Isso porque não se estabeleceu como critério para a escolha da empresa a redução da tarifa, apenas o seu aumento!
Pelo cancelamento da licitação para a prestação do Serviço Público de Transporte Coletivo que se encerrará no dia 14/03. Pela abertura de um novo edital. Pela redução do preço da passagem!

Vamos dizer não a esta exploração!
Todos no ato hoje (02/03) às 17:00 horas em frente a antiga rodoviária velha!


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Erva do Diabo


O livro narra, em sua magnitude, o encontro entre o antropólogo Carlos Castaneda da Universidade da Califórnia com o índio Yaqui Dom Juan, no Deserto de Sonora, norte do México.
Interessado apenas em estudar o uso de plantas alucinógenas por certos povos indígenas para tese de mestrado na universidade da Califórnia, Castaneda não poderia imaginar que se envolveria na maior aventura de sua vida: tendo a revelação de uma dimensão desconhecida da realidade, ou seja, alterando entre dois mundos diferentes, a realidade comum e a realidade não-comum, tornando-se aprendiz de feiticeiro, por sutis manipulações do "brujo", que significa curandeiro, feiticeiro, Dom Juan.
O objetivo central é o encontro de um caminho do conhecimento pleno, mas para percorrê-lo o autor é obrigado a enfrentar duras provas e obstáculos terríveis, até que descobre como dominar o primeiro e maior inimigo: seu próprio medo. Carlos Castaneda, orientado por Dom Juan, conduz por aquele momento do crepúsculo, a fresta do universo que há entre o claro e o escuro, um mundo que não é apenas radicalmente diferente do nosso, mas também de uma ordem e realidade inteiramente diferentes, onde vivem os guerreiros da liberdade total, donos absolutos de suas constâncias. A obra não é somente uma narrativa de experiências alucinógenas, as sutis manipulações de Dom Juan conduzem o leitor curioso enquanto suas interpretações dão significados aos fatos.

O livro é a história dos cinco anos que esses dois homens passaram juntos como mestre e aluno, anos estes em que Dum Juan ensinou Castaneda os usos do peiote e outras plantas alucinógenas, que manipuladas com sabedoria, permite conseguir a visão e o domínio de um mundo de "realidade extrasensorial", completamente além dos conceitos de civilização ocidental, pondo-o a caminho da estranha e aterradora jornada espiritual que o homem tem de empreender para tornar-se um "homem de sabedoria", ou seja, vencer seu medo.


O livro

O livro é parte de uma trilogia autobiográfico: “A Erva do Diabo”, “Uma Estranha Realidade” e “Viagem a Ixtlan.” Logo o primeiro deles toma notoriedade entre os jovens da década de 60, um best-seller para o Movimento hippie. Porem recebe grande crítica da acadêmia devido a suas amostras não serem suficientes para uma pesquisa científica.

Na narração é percebido a dicotomia entre duas realidade, a realidade comum e a realidade não-comum; uma representa o cotidiano em que as sensibilidades são suprimidas devido a uma padronização do pensamento, a outra, de forma simplória, é percebida com a ajuda dos “aliados”, onde é aflorado as percepções naturais.

O livro tem como tese principal: o Homem de Conhecimento; e para isso é necessário trilhar o caminho em busca do desconhecido, que é, segundo Juan, o próprio medo. Para isso é fundamental dominar o “aliado”, que são, de forma alegórica, as ervas alucinógenas. Para o índio as plantas trazia a importância, e possuíam a capacidade de provocar estados de uma percepção especial; tais plantas eram compostas principalmente por três espécie: o peiote, cacto que contem o alucinógeno mescalina; a datura (Datura Stramonium), tem o nome popular de erva-do-diabo e os cogumelos. Logo após a aceitação de Castaneda como aprendiz, que ocorreu no dia 23 de junho de 1961, acontece sua primeira experiência.

Agora paro por aqui, fica a indicação para leitura nesse verão. Boa leitura!

e-book

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Verbo



O Verbo

a carne se fez verbo
depois fez-se o verso
e o poeta viu que tudo era feio
e fez-se a poesia.

O ar seco do cerrado,
o sol sereno do inverno,
o povo e o pó da periferia
confundiam-se numa nuvem de miséria
que pairava entre o céu e a terra
da zona norte que sofria.
Como numa inversão térmica
nossa república mensaleira
inverte os valores, sufoca a cidadania.

O analfabetismo.
O desemprego.
A infância desassistida.
A fome em fim já tem cor, quem diria?
Nossa esperança outrora descolorida
hoje é verde e amarela, a cor da falsa alegria.
E ai já não era mais a carne,
mas a pele
os ossos
que vibravam e retorciam se fizeram verbo.
Verbo na primeira pessoa do singular: eu sofro.

Tu sofres.
Ele sofre.

Lazaro Carneiro.

http://www.lazarocarneiro.blogspot.com/


domingo, 31 de outubro de 2010

Democracia que me engana...


Nossa democracia, dita representativa, hoje (31/10) selou mais um marco na história desse país. Já diria aquela propaganda: "o país já teve seu primeiro presidente operário, agora vamos eleger nossa primeira presidente(a) mulher." Prossigamos.
Em relação ao ser a primeira presidente mulher, nada de novo; nada mais é do que a reprodução do que há de mais velho. Vejamos alguns exemplos das mulheres na política: na vizinha Argentina, Cristina Kirchner; na Alemanha, Angela Merkel; indo mais para a terra do sol nascente, no Quirguistão, ex-União Soviética (Ásia central) tem a sua primeira chefe de Estado, Roza Otunbayeva. País, aliás, que viveu recentemente uma guerra civil. (Link) Penso que basta de exemplos, porque poderíamos até passar pela rainha Elisabeth na Inglaterra para expor aqui. Levanto esses exemplos para sustentar o argumento sobre se a forma será ou não a mesma de governar de um homem, como pareceu minha interpretação sobre a propaganda. Ou se sua sensibilidade feminina trará uma renovação na forma de governar o país. É obvio que não! Vejamos a primeira parte da frase da propaganda: "o país já teve seu primeiro presidente operário...", pois então, houve algo de novo para a classe trabalhadora, a não ser levantar todos os dias às 6hs para se locomover até ao trabalho? Houve alguma discussão sobre a redução da jornada de trabalho, que pelo contrário, se discute sua flexibilização. Os movimentos sociais teve seus anseios atendidos? A resposta é categórica, Lula como um "operário" se mostrou um ótimo político e articulista. O governo do Partido dos Trabalhadores foi um governo progressista, se comparado ao octênio FHC, mas os passo vão à marcha lenta, e a discussão tem que caminhar até encontrar o sujeito da história, o trabalhador. O que nunca houve na história desse país.

Acreditar que apenas o fato de uma representante do sexo feminino será, por si só, um fator radical de uma mudança, é uma ingenuidade, do mesmo teor de quem abraçou a "onda verde" de Marina Silva, acreditando em mudanças significativas nas políticas ambientais e esquecendo-se, por exemplo, dos interesses das cifras arrebatadoras dos empresários envolvidos em sua campanha, que certamente direcionariam qualquer programa do partido.

Dilma não está tão longe. O PT que ajudou a criar poder de compra para a classe baixa e média de uma forma nunca vista no país, é o mesmo que possibilita o salto astronômico de Eike Batista com suas ações na bolsa. Muito se discute o caráter firme, rígido, exercido pela ministra Dilma, mas infelizmente essas qualidades individuais, pouco ou nada, exercem influência a ponto de esperarmos por dias verdadeiramente melhores.

A discussão não pode ficar ludibriada com o doce sabor da política, pensando nos limites do intelecto político, esquecendo que a política é administração de conflitos e não solucionador do mesmo. Há luta de classes, e a política nacional mostrou, da forma mais schumpeteriana de ser, de quem governa não é um operário, mulher ou um negro, mas uma elite que pensa como classe e age como tal.

Parece-nos que já passou em muito o tempo das discussões e opiniões direcionarem-se às estruturas, algo que supere o blábláblá entorno das caricaturas feitas sobre os candidatos, das mútuas ofensas inócuas de conteúdo político. Temos a potencialidade de irmos muito além das ferramentas democráticas que sustentam o bolo da grande festa da democracia brasileira. E que os maiores pedaços até hoje sabemos para quem ficam.

por Valdivíno Ferreira.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tom Zé...

Antônio José Santana Martins nasceu em Irará (BA) no dia 11 de outubro de 1936. Cantor, compositor, ator, repentista, político e crítico musical Tom Zé vem há tempo declamando a musicalidade brasileira e levando para o mundo sua forma, bem ao modo baiano, de se expressar. Apaixonado pela música inicia-se cedo no mundo artístico, na década de 60 vai estudar música na Universidade Federal da Bahia onde passa a ter contatos com nomes importantes, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa; esse contato resultou na formação de um grupo, que em 1968 lança o disco Tropicália ou Panis et Circensis, juntamente com Maria Bethânia. Porém sua carreira passa a ser realmente conhecida pelo mundo devido ao reconhecimento de um sujeito (David Byrne), que ao ouvi-lo, lança sua obra nos EUA; é somente depois dessa “descoberta” que a crítica (qual?) nacional passa a dar mais atenção a ele.Meu deus, o que seria de mim se Byrne não tivesse me encontrado.”1 Em sua carreira são mais de 20 álbuns, dois DVDs e um documentário (“Fabricando Tom Zé”). Hoje com seus 74 anos de vida vem até Londrina com o show “Pirulito da Ciência”; junto com sua banda, que o acompanha já a muitos anos, Tom Zé consegue conquistar um grande número de jovens que se identifica com sua arte. Tom Zé, na concepção de quem vos escreve, passa através de suas músicas o sentimento de uma classe sempre oprimida pelo mundo desigual. Esse pequeno homem em estatura se mostra autentico ao longo dos anos, e merece todo o reconhecimento que a humanidade pode lhe oferecer.

Para não ficar somente nessa conversa fiada composta por rápidas pesquisadas na internet, colocarei os links do documentário e do disco preferido. Lá vai:


*Fabricando Tom Zé
http://www.4shared.com/file/8frJkQLF/Fabricando_Tom_Z.htm

*Estudando o Samba http://www.4shared.com/file/W2vC09jC/Tom_Z_-_Estudando_o_Samba.htm

Inclusive é esse o disco responsável pela “descoberta.”

Até a próxima!


1-Trecho retirado do documentário Fabricando Tom Zé, que ironiza a fragilidade de ser reconhecido. Direção de Décio Matos Jr.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Devaneios...

Numa sexta-feira, preparando para ir almoçar eu e meu amigo Iglesias (Rafael), lembramos de um artista (que faz arte!) que realmente mexe com nossos corações: Belchior. Certamente veio as comparações e questionamentos, que são próprios dessa minha forma cartesiana de pensar; qual é o melhor disco dele? Claro que querer usar comparações para legitimar um e desprezar o outro, ou, continuando usando o exemplo do mestre Belchior, querer analisar as letras dos outros discos e eleger "o melhor" é empobrecer a arte.
Almoçando no pop (restaurante popular) e interagindo com os olhares das pessoas, me veio à mente a musica Conheço Meu Lugar, do disco Era uma Vez o Homem e seu Tempo de 1979. Puxo a discussão com o Rafa sobre tais comparações ditas anteriormente no texto; é claro que não chegamos a um consenso, nem poderíamos chegar, pois cada um possui anseios, sensibilidades e amores próprios, mas contrariando o que foi escrito por mim ali atrás comparei. Com todo seu charme cearense Belchior nesse disco fez render lágrimas, não resistindo a seu bigode e sua voz (Um pouco fãããnha!) onde me faz lembrar a terra deixada, entrou na minha lista de artes que essa geração criou.
Começando com Medo de Avião e terminando com Medo de Avião II Belchior abre voo à sua criatividade, passando por Retórica Sentimental e rasgando a alma em Tudo Outra Vez, esse disco deixa-nos de boca aberta. Para pecar mais uma vez: esse realmente se mostra como "O disco" de Belchior.
Reproduzindo uma frase dita pelo Rafa na fila: "Nesse (disco) ele tava inspirado!"
Fica ai a nossa conclusão e nossa preferência, e é claro, nosso pecado.
Para os curiosos... (ler mais), se gostou, tá ai o presente: down


Um beijo da Faca-do-Feijão...



sábado, 18 de setembro de 2010

Direito de preguiça II

A preguiça é a necessidade de parar e absorver o mundo à sua volta.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DTP e Escola Milton Santos promove palestras

O Departamento de Teoria e Prática da Educação promove nesta quarta-feira (07) a abertura do ciclo de palestras "educação e movimentos sociais", o evento terá sua abertura no auditório do bloco I-12 às 19:30hs. O tema da conferência de hoje é Universidade e Movimentos Sociais: desafios do momento histórico. O ministrante será o filósofo, poeta, escritor e membro da coordenação nacional do MST, Ademar Bogo. Segue o ciclo na quinta-feira, tambem às 19:30hs, com o tema Brasil no contexto mundial: desafios e perspectivas para o século XXI e o palestrante será o economista e membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina Brasil, João Pedro Stédile.O encerramento do evento ocorre no sabado às 8hs, com a conferência Sobre a Educação e a Reforma Agrária, também ministrada por João Pedro Stédile em parceria com o pós-doutor em Educação Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp. O encerramento será na Escola Milton Santos que fica na estrada velha para Paiçandu.
Maiores informações: www.uem.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2442&Itemid=1

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Gente da gente...

"As necessidades materiais são só cinco: ar, água, alimento, agasalho e abrigo; tudo com "A", e com essas cinco coisas você vive..."



Vim perceber isso depois que entrei para a universidade!